quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O dia mais triste de minha vida

Dia 06/11/2011
Acordei cedo e minha sogra ainda dormia, confesso que foi terrivel abrir os olhos aquele dia e enxergar que a Isabella não estava mais ali comigo, eu já sentia meus olhos pesados de tanto chorar. Não posso explicar o que senti exatamente, na verdade não existe vocabulário no mundo que ajude a exprimir meus sentimentos naquela manhã. Fato era que neste dia a algumas horas a frente, o corpinho da minha pequena seria velado e tão logo sepultado e embora eu não estivesse lá, parte do meu coração partiu com a minha pequena. Não seria exagero dizer que tudo isso rendeu-me cicatrizes profundas, só Deus sabe as feridas que se abriram em meu coração da falta que sinto da Bellinha, dos planos e sonhos que eu tinha pra nós.
Foi com lágrimas nos olhos que iniciei o primeiro post no dia 28 de Junho/2012 contando uma história bela, de amor, onde tudo iniciou com alguns sinais de Deus em minha vida a dizer que eu estava gravida e contei cada descoberta, cada nova sensação gestacional, a primeira mexida na barriga, ahhh que saudade...De algum modo, mesmo relatando agora o sepultamento da bebê a história ainda é bela, claro que as lagrimas não são as mesmas que iniciei contando, mas a história é toda feita de amor e até o fim foi amor de descisão, de selos eternos, porque o que vivemos juntas vai ficar pra sempre em mim, as conversas, seu crescimento, o amor em mim crescendo...Só a gente entende. Pra quem um dia disser que seis meses é muito pouco frente a uma longa vida, posso dizer que em todos os meus anos de vida eu não vivi e amei como quando eu engravidei da Isabella. Eu experimentei um pouquinho do céu na terra, de tão divino que é a maternidade!
A enfermeira boazinha (que havia me tirado do C.O. no dia anterior), apareceu na sala e com um sorriso singelo me disse que eu precisaria tomar algumas medicações e que ela iria retirar o acesso do meu braço (Até que enfim, ficou um super buraco de tanto tempo que fiquei com o acesso, afff)...
Minha sogra acordou e juntamente com a enfermeira elas me motivaram a tomar o meu 1° banho após três semanas de banho de paninho e/ou caneca. Eu estaria ansiosa por este banho se minha filha estivesse ali comigo, me sentiria agraciada por depois de tanta luta ter a Isabella no meu colinho, como recompensa de quem alcançou um milagre. Mas isso estava apenas em meus sonhos agora.
A enfermeira falou que eu precisaria tentar levantar mas que inicialmente eu não iria andar normalmente, mas ela e minha sogra iam me ajudar a colocar os pés devagarzinho no chão - tô tentando escrever mas o choro e as lembranças ta que tá...
"Eliane, vamos te ajudar a levantar, você pode sentir um pouco de tontura e fraqueza porque passou muito tempo deitada mas é normal, coloquei uma cadeira no banheiro pra você tomar banho sentada vamos te apoiar e te levar até lá, não precisa ter pressa pra caminhar, vamos devagar...Senta e coloca os pés no chão sem pressa."
Passei tanto tempo deitada que achei que seria desconfortavel me sentar. Não foi. Na sequência minha sogra e a enfermeira me seguraram cada uma em um braço e eu tentei me levantar. Minhas pernas não suportaram de primeiro o peso do meu corpo, senti uma forte tontura que achei que fosse desmaiar isso porque eu não tinha dado sequer um passo, e na hora desabei a chorar. Novamente a frustação, raiva e sentimento de impotência vieram me dar um sacode nas emoções, pensei que era um absurdo eu ter de fazer agora todo aquele esforço pra voltar a por os pés no chão sem ter ali a recompensa, o prêmio da vida que tanto meu coração ansiou. Que vida é essa que tanto se luta pra perder, Meu Deus?
Encostei na cama e minha sogra carinhosamente foi me motivando a tentar levantar (acho que elas pensaram que eu chorei por causa do peso da perna, tontura)...antes fosse só isso minha gente... Minha sogra com carinho disse que eu precisava andar até o banheiro, tomar banho e  tirar aquela roupa suja de sangue e vomito que eu ainda estava...Ja a enfermeira me disse que se eu quisesse ter alta logo eu precisa demonstrar que estava me recuperando, tentar andar, fazer coco, ou eles iam me segurar lá no hospital. Fiz força pra tentar ficar em pé com elas me ajudando, andei um passo torto, chorei, parei de andar, achei que ia cair...mas cheguei até o banheiro. Ah como pedi a Deus que aquela agua que caia sobre mim levassem todo esse sofrimento, curasse meu coração. Fiquei horas debaixo do chuveiro com o olhar parado e por vezes de pensamentos vazios, minha sogra foi um anjo pra mim não só neste dia mas em todo o transcorrer da minha internação. Ela desembaraçou todo o meu cabelo e olha que ele estava parecendo os pelos do meu cachorro Jolie quando embaraçava, rsrs, todo engrunhido, embolado até a raiz, e como tava grande o cumprimento demorou um tempão pra ela desembaraçar, rsrs...Ela me mostrou o bolo de cabelo ou que tinha caido ou quebrado. Me sequei sentada e pra voltar pra cama a enfermeira voltou e me ajudou com minha sogra  até chegar lá.
Café da Manhã? Pelo amor de Deus!Quem tem apetite numa hora dessas? Eu não queria comer, nem fome eu tinha mas a enfermeira era ligeira, dizia que se eu não comesse..Já sabe: sem alta hospitalar...Fala serio, ela era uma chantagista nata! rsrsrs..Gosto muito dela, embora nem lembro de seu nome.
Poucas horas depois meu irmão Emerson chegou, me abraçou e conversou bastante comigo, lembro da minha sogra falando: nossa seu irmão fala bastante hein! Nem tanto...rsrs...Ele me ajudou a levantar e me dando o braço dele de apoio me ajudou a ficar me movimentando dando alguns passos no quarto, eu sentia que minhas pernas estava tipo cambito de grilo sabe, porque elas bambeavam reclamando o peso do corpo, rs.
Se aproxima o horário do velório que seria as 11:30. Eu não tinha idéia de como meu namorido estava ou se sentia, pois eu estava sem celular, mas sei que no lugar dele e, embora eu até quisesse, eu não suportaria estar lá.
O meu irmão e minha sogra ficaram comigo o tempo todo, o Eme tentando me fazer dar risada, contando algumas coisas engraçadas, outras horas partilhando da história de Jó da biblia, outras ouvindo musica no celular, e por diversas vezes me ajudou a levantar e caminhar no quarto. Horas depois chegou minha madrinha com o Rafa, ela vinha me visitar e não sabia do ocorrido.
O Rafa me contou como havia sido estes dois dias, e me falou do respeito com que o pessoal do hospital das clinicas tratou a bebê, ele disse que as pessoas ao falarem da bebê diziam "anjinho" "Vou arrumar bem bonito o anjinho". Bonito isso. Ele levou a roupinha que compramos pra saida de maternidade, era linda, especial a cara da Bellinha, e o Rafa falou que ficou num tamanho perfeito. Contou com lágrimas nos olhos que tinha feito uma oração antes de fecharem o caixãozinho e que após o fechamento do caixão ele pegou o caixãozinho em suas mãos com o corpinho da bebê ali guardado e seguiu caminhando com o pessoal sentido ao lugar do sepultamento, até que alguém do cemitério prestou ajuda pra levar até a sepultura. Olhava para o Rafa enquanto ele contava, ele não estava se debruçando em lágrimas, mas estava ali as lagrimas discretamente empoçada em seus olhos que ja estavam bem avermelhados, acho que de tanto chorar, mas sua postura era de um homem firme, forte. E boa parte dessa firmeza foi pra tentar me sustentar por que eu sentia meu coração destroçado...Eu sei o quão dificil foi para ele, afinal desde sempre o Rafa sonhou em ter sua esposa, seus filhos....
Cumúlo da cara de pau do dia: meu namorido me contou que um casal da igreja que participamos foi até o cemitério. Quem os avisou? Não fazemos a minima ideia pois não temos amizade com eles. Essa moça não me suporta, eu não falo com ela, pois ela ja fez muita fofoca a meu respeito com insinuações de que eu estaria dando em cima do marido dela, mulher possessa de ciumes, sabe?!Antes eu era amiga deles, mas percebi que não dava pra manter amizade, n° 1 porque o Rafa não gostava das posturas do Rapaz entre outras coisas, n° 2 pelas invenções da mulher dele e crises louca de ciúmes dela. n° 3 porque por favor né, tenho que ter vergonha na cara e ficar longe desses tipos de pessoas, já foi o tempo que eu deixava todos darem na minha cara...A cara lavada foi o que mais me chamou atenção. Como pôde? Podem chamar isso de ato solidário, eu dou a isso outro nome! Muita falta de respeito. A madrinha da Isabella - Eliana falou que eles haviam chegado depois do sepultamento. Graças a Deus eles chegaram no final, aquele era um momento só para pessoas que realmente fazem parte da nossa vida. Essa moça ainda disse para o Rafa que iria me visitar...Você acha que ela ligou ou me fez a tal visita? Ahhh se ela liga!!!
Alguns minutos depois liga a Graziella, madrinha de consagração da bebê e me diz: "Eu ainda continuo na lista de madrinha, né?!" Me chateou ouvir isso, a bebê que ela era a madrinha é a Isabella, embora ela tenha falecido ela não deixou de ser madrinha da bebê, assim como eu sou a mãe da Isabella. A Eliana (madrinha da bebê) perdeu dois bebês, o primeiro ainda estava no 1° trimestre gestacional, o 2° foi a Raissa já com 9 meses de gestação mas por um erro médico passou do tempo da bebê nascer. A Raissa foi sepultada no mesmo cemitério que a Isabella, e eu sei que a Eliana nunca esteve lá, eu entendo como deve ser dificil, de modo que não esperei que ela fosse. Mas leia bem o que ela me disse: "Eliane eu tinha que vir a Isabella é minha afilhada"...Totalmente diferente.
Minha irmã também perdeu seu 1° bebê, seu nome era Jonathan, ele faleceu apos lutar por seis meses pela sua vida, e também foi sepultado no cemitério que a Isabella esta, e minha irmã também não foi mais ao cemitério, mas me sunpreendi de saber que ela foi, seria totalmente compreensivo se não tivessem ido. É dificil, só quem é mãe de anjo sabe e sente. Não sei se pelo ocorrido a minha sensibilidade estava a flor da pele, mas essas coisas me chatearam...
Foram todos embora, minha sogra foi descansar um pouco ficando apenas eu e meu namorido.

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Meu namorido me contou o que rolou enquanto eu estava entrando em trabalho de parto, disse que no dia 04 de novembro minha mãe ligou no trabalho dele dizendo que era culpa dele eu estar naquela situação (por causa da história da festa a fantasia que ela deve ter  ouvido eu conversar com ele, sendo que eu ja tinha me entendido com o Rafa), e que se a bebê morresse a culpa era dele...Olha as histórias..minha amiga contou que ela havia bebido e feito um escandalo no hospital, xingando todo mundo..Ela tava indo tão bem, sem beber, ai teve esse problema e ela fraquejou. Mas isso é assunto pra outro post minha mãe tem seus defeitos assim como eu, mas ela é uma otima pessoa, mas quando bebia dava dessas..Graças a Deus isso já passou..Minha mãe e o Rafa discutiram porque 1° ela não deixava que o Rafa ficasse lá embaixo (sabe que eu amo minha mãe, mas naquele momento eu queria estar com o Rafa ali do meu lado, afinal ele era o pai da Isabella, eu precisava dele ali comigo como ele sempre agiu, e era um direito dele estar lá, é esposo e pai da Isabella, né pessoalll)...2° porque ela foi dizer ao Rafael que se a bebê tivesse morrido ela iria ficar para ser cobaia no hospital...Ohhh Goddddd...Olha o que minha mãe disse, com todo amor que devoto a ela, eu ja tinha perdido a compostura...O Rafa deu uma resposta nela e saiu de perto pra não piorar o quadro. Vcs devem ter lido que eu tinha me desentendido com o Rafa e com essas historias toda o Rafa disse que pensou em se separar de mim...Magina...Desgrudo não...kkk...Mas conversamos, ele tava errado, eu tava errada, a gente se pediu desculpas, fez um carinho e love pra frente....
Assim que minha mãe chegou meu esposo foi descansar, assistimos tv, conversamos um pouco (quer dizer minha mãe assistiu porque eu não conseguia mudar o foco), não comentei nada sobre o que o Rafa havia me dito até porque eu não tinha nem animo pra falar, e logo me deitei para tentar dormir. Mas confesso que aquela situação me parecia roubar a vontade de viver...

7 comentários:

  1. ola querida me emocionei muito com este post pois ja passei por isso e não é facil.estou seguindo seu blog se puder seguir o meu beijos e tudo de bom

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  2. Oi flor, chorei muito lendo seu post. Um choro de sentimento de injustiça e de vontade de ajudar, mas sei que essa ajuda só Deus pode dar...
    bjok

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  3. Olé Eliane, muito difícil ler seus posts e não se emocionar! Que história! Existem pessoas que realmente vão ser lembradas por suas ações por resto de nossa vida e nem sabemos seu nome... É muito bom que ainda existam pessoas assim!
    Bjos

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  4. Oi, fiquei muito emocionada com seu post, seu blog é especial, estou conhecendo agora e já estou seguindo, da uma olhada no meu, também sou uma tentante, e tive um aborto espontâneo com quase 10 semanas de gestação. Muita força pra nós,

    http://rafaelacruzantunes.blogspot.com.br/

    Fica com Deus.

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  5. Oiee Meninas, obrigada por cada palavra, pelo carinho aqui no meu cantinho...por partilhar cada sentimento....Agradeço de coração e estarei sempre acompanhando com carinho e respeito o cantinho de vcs tb e tão logo as vitorias em forma de milagre da vida das tentantes!!!bjinhos

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  6. Oi Eliane ..
    Me vejo em muitas das suas palavras ..
    Sou mãe de um anjinho que se foi aos 9 meses de gravidez morar com papai do céu e enquanto o velavam eu estava totalmente abatida no hospital.
    Entendo suas dores e suas palavras..
    Beijos e força ..

    depois entra no meu cantinho ..

    http://gislaineder.blogspot.com.br/

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Oiê, ao deixar sua mensagem coloque o endereço do seu blog, assim poderei lhe fazer uma visitinha =).
Beijos com asas,
Ely